Água Engarrafada: Problema ou Solução?

água engarrafada water bottle
Atualizado em

Responda rápido: você pagaria mais em um produto, existindo outro equivalente com as mesmas propriedades e características?

Você sabia que é exatamente isso que faz toda vez que opta por comprar uma garrafa de água?

O Brasil é o país com a maior reserva hídrica do mundo e cerca de 12% de toda água doce está em nosso território.

O recurso é abundante em comparação a diversas regiões no mundo e até 2016 realizávamos a entrega de água tratada a 82,5% das residências.

Embora esse número não seja o ideal, considerando que 35 milhões de brasileiros ainda não recebem água tratada em casa, levanta um questionamento: porque a venda de água engarrafada cresce a cada ano?

O mercado brasileiro da água engarrafada

Nos últimos anos o Brasil enfrentou uma das maiores crises econômicas de sua história, a indústria da água engarrafada, porém, não possui razões para reclamar.

O consumo de água vendida em garrafas apresenta constante crescimento já a alguns anos.

Em 2016, por exemplo, algumas Fontes (empresas que realizam a extração e envase da água mineral) projetavam crescimento de 20% ao ano em um mercado que movimenta mais de R$ 10 bilhões.

O Sumário Mineral publicado pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DPNM) daquele mesmo ano, porém, mostra um dado diferente.

O relatório do departamento ligado a Agência Nacional de Mineração mostrou que segundo a consultoria internacional Beverage Marketing Corporation, o crescimento médio do mercado de água envasada no Brasil entre 2010-2015 foi de 4,1%.

Esse desencontro de informações muito se deve ao fato de que a produção de água declarada corresponde a apenas 40% do total consumido.

Lembrando que as importações de água engarrafadas não tem peso significativo no mercado, raramente ultrapassando a barreira dos 3 milhões de litros.

Sendo assim, temos um mercado interno promissor, que já foi o 4º maior do mundo até o final da década passada.

O espantoso crescimento do consumo desse tipo de produto na Indonésia nos últimos anos fez com que o país ocupe atualmente a 5ª posição no mercado mundial em consumo de água engarrafada.

O top 5 maiores mercados deste setor são: China, Estados Unidos, México, Indonésia e Brasil.

Outra característica que vale a pena ressaltar sobre esse segmento é sua crescente concentração. Em 2016 apenas 9 grupos foram responsáveis por 30% da água envasada no país.

Esse cenário levanta discussões, especialmente pelo aumento da participação de marcas ligadas a grupos estrangeiros, como Coca-Cola, Nestlé e PepsiCo.

Mesmo com alguns desencontros nos números, é possível perceber que o mercado de água mineral no Brasil é poderoso.

São números bilionários! Tanto os financeiros quanto os de litros de água.

Porque preferimos água engarrafada?

E a grande pergunta é: afinal, porque consumimos tanta água em garrafas? Para respondê-la, vamos voltar um pouco no tempo.

Desde as primeiras civilizações, era comum que ocorresse o transporte e armazenamento de água em vasilhas e outros recipientes.

A comercialização de garrafas de água, porém, começou apenas no século XVII.

Foi em 1621 que a britânica Holly Wells, primeira indústria dedicada ao envase de água, iniciou suas atividades.

Essa época foi marcada pelo ressurgimento das práticas de hidroterapia, o que impulsionou a demanda pela água envasada.

“Por hidroterapia entende-se o tratamento pela água sob suas diversas formas e a temperaturas variáveis. A água é um dos meios de cura, um veículo de calor ou frio para o corpo. “

Era uma crença comum na época, que as propriedades da água mineral seriam capazes de curar doenças e melhorar a saúde.

Nos Estados Unidos, por sua vez, a primeira fábrica de água, a Jackson Spa’s, foi aberta em 1767 em Boston.

Posteriormente, com o avanço da tecnologia na produção de vidros, o século XIX foi cenário de um crescimento exponencial na venda da água engarrafada.

Vale lembrar que na época os sistemas de tratamento das companhias de abastecimento alcançavam poucos e nem sempre era eficaz e confiável.

Dessa forma, os consumidores enxergavam o produto envasado como uma fonte mais segura para consumo.

No Brasil, foi em 1876, que surgiu uma das mais antigas marcas de água mineral – ainda ativa – em Águas da Prata (SP).

Na época a cidade do interior paulista fazia sucesso por suas dezenas de fontes de água e pelo clima ameno ao pé das montanhas.

Como podemos perceber, até o início do século XX existiam duas razões principais para a produção e venda de água engarrafada:

  • A crença em suas propriedades terapêuticas;
  • A falta de confiança no sistema de abastecimento público.

E esses são motivos plausíveis para entendermos porque uma grande parte da população passou a pagar mais caro para consumir um recurso que poderia ser encontrado quase de graça.

Eis que chega o século XX e com ele novas tecnologias e técnicas que modificaram a vida no planeta profundamente. Entre eles o método de cloração da água, que permitia tratar a água de forma prática e confiável.

Quem não quisesse comprar água engarrafada, também não precisava mais fervê-la para evitar doenças como cólera e sífilis. Água limpa direto da torneira!

Nos Estados Unidos esse novo cenário representou uma queda abrupta no consumo de água mineral.

Uma indústria, porém, não cria apenas produtos, também cria demandas. Afinal, é preciso estimular o consumo.

E assim foi feito.

Propaganda é a alma do negócio

No final da década de 1970 teve início a uma agressiva campanha publicitária que colocava em dúvida a qualidade da água das torneiras.

A saída para quem não quisesse colocar a sua vida e de sua família em risco era comprar as águas minerais.

Essa visão e sensação de medo rapidamente se espalhou, e ao longo das últimas décadas a água passou a ser o produto envasado mais consumido do mundo.

O grande problema é que tudo não passa de um mito! E como todo mito, distorce a realidade.

A água que chega a nossas torneiras é captada em águas superficiais e recebe tratamento de filtragem e cloração.

Esse tipo de tratamento, contudo, não é capaz de eliminar metais pesados e agrotóxicos.

A água mineral de garrafa é captada em fontes subterrâneas, não recebendo nenhuma filtragem ou tratamento e em geral contém mais sais minerais por este motivo.

Até aí tudo bem, certo?

O que não te contam é que a água mineral também pode estar contaminada com estes metais pesados e agrotóxicos.

E mais: por não receber tratamentos, pode ser contaminada por bactérias.

A água da torneira, pelo simples fato de ser tratada, tecnicamente é mais confiável que as envasadas de fontes minerais.

Ou seja, nos venderam um mito, nos fazendo pagar mais caro por um produto que pode ser encontrado quase de graça e que ainda por cima gera severo impacto ambiental.

Vale a reflexão: Porque as garrafas de água sempre tem imagens de nascentes lindas ao pé das montanhas? Pelo mesmo motivo que o leite tem imagens de vaquinhas felizes no campo, marketing!

Estamos em uma era onde não se vendem produtos, e sim ideias, imagens e conceitos.

A água engarrafa como inimiga do meio ambiente (e do seu bolso)

Vamos aos cálculos.

Não é difícil perceber que comprar garrafas de água sai bem mais caro que utilizar aquela entregue pela companhia de abastecimento.

Na cidade de São Paulo, 1.000 litros de água (10m³) custam, de acordo com a SABESP (companhia de abastecimento estadual), R$ 25,20 (data de referência 02/2019).

Os preços da água mineral variam muito conforme marca, local de compra e embalagem, mas para efeitos de comparação vamos assumir que uma garrafa de 500 ml seja vendida pelo valor de R$ 1,70.

Nessas condições os mesmos 1.000 litros custariam R$ 3.400,00!

Enquanto no primeiro caso se paga R$ 0,02 por litro da água, no segundo, o valor chega a R$ 3,40 por litro.

Mas este tipo de produto não é apenas um inimigo pro seu bolso, é também um problema para o meio ambiente.

O problema principal, nesse caso, diz respeito à embalagem, produzida em plástico PET.


“O plástico é um derivado de petróleo e sua produção gera resíduos poluentes que afetam a atmosfera, solo e muitas vezes a própria água.”


Pense, por um momento, em todo o caminho que uma garrafa de água descartável percorre entre a produção e o consumo. Percebe como a vida útil desta garrafa é curta? Quanto tempo de fato você demora para consumir o conteúdo e descartar a garrafa?

Em um momento onde parece ocorrer um esforço para desenvolver carros elétricos, novas tecnologias de energia limpa e diminuirmos nossa dependência de petróleo, continuamos a consumir produtos que não precisamos com embalagens plásticas!

Além disso, há de se considerar as pegadas de carbono e hídricas deixadas também durante os processos de transporte e comercialização.

E como se não bastasse há outro grave problema: o descarte inadequado dos resíduos.

A realidade é que o índice de reciclagem ainda é baixo. No Brasil apenas 55% das garrafas PET são recicladas. Em grande parte graças aos catadores de rua, que retiram seu sustento da coleta e separação desses resíduos.

Mas o que isso significa? Que bilhões de embalagens vão parar em aterros, onde demoram alguns milhares de anos para se decompor, ou pior: vão parar em nossos rios e oceanos.

Nós poluímos nossas águas quando optamos por comprar garrafas de água em vez de abrirmos nossas torneiras!

A solução está em cada um de nós

É cada vez mais comum a visão, especialmente entre a nova geração, de que consumir é um ato político.

Nós podemos moldar o mundo de acordo com as nossas escolhas de compra.

Se você está em uma região com tratamento de água, evite a compra de água engarrafada. Evite esse desperdício de recursos e de seu dinheiro.

Se mesmo com o que te contamos até aqui, você se sente desconfortável em abrir a torneira e tomar um belo gole da água, aposte nos filtros.

Os filtros não são novidade no mercado.

É possível encontrá-los em diferentes modelos, tanto modernos quanto versões mais tradicionais, como o filtro de barro, para instalar em sua casa. Acredite, se tratando de purificação, eles dão conta.

E ao sair para algum lugar, leve a sua garrafa não descartável cheia da água com você.

São atitudes em nosso dia a dia e nossas escolhas sobre o que e como consumimos que contribuirão para formar um mundo melhor!

Gostou desse artigo? Continue acompanhando nosso site e tenha acesso a mais informações como essa!

Até a próxima!

Referências [1][2][3][4][5][6][7][8][9][10][11][12][13][14][15][16][17][18][19]

Por Equipe HypeVerde